sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Boas lembranças são marcas que o tempo não apaga...

 Flávio Figueiredo, Nal Bento, Nonato Bento e Cícero de Iudomar


Quando nasci já era hábito dos meus pais (ZEZÉ BENTO e MARIQUINHA), no Sítio Lagoa do Meio, lá no município de Mauriti-CE, reunir parentes e amigos em sua casa, nesta data, para a "RENOVAÇÃO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS". Já na véspera começavam os preparativos. Mulheres no pilão, nas tigelas e no fogão a lenha, preparavam os deliciosos sequilhos e pão-de-ló, torravam e pilavam bastante café. Outras, com latas potes e cabaças iam buscar água na cacimba, deixando a casa muito bem abastecida. Engomavam toalhas e guardanapos bordados a mão, brancos, limpos e cheirosos, além de varrerem o terreiro da casa. Os homens lascavam lenha, envaravam os fogos de artificio, terminavam de caiar a casa, arrumavam as cadeiras, bancos e tamboretes, deixando, assim, tudo nos trinques para o dia seguinte. Ao amanhecer do dia de reis, alguém matava os bichos. Dependendo de como foi o "INVERNO" no ano anterior, a festa era mais ou menos pomposa. Se o ano passado foi farto, tinha porco, bode, capão e galinhas gordas. Do contrário alguns dos animais eram poupados. A carne bovina era comprada no açougue da cidade. A mulherada preparava a comida para o almoço dos de casa e para o jantar, onde muita gente era convidada a participar. A noite a casa enchia de gente vinda de diversos lugares. Isso era feito uma vez por ano mas era bonito e animado. Tinha os famosos por comerem muito. Os engraçados que, com suas estórias e gracejos (como o alegre tio João Francelino), nos faziam rir. Ao iniciar-se a reza, começava o foguetório. No momento em que alguém gritava: "VIVA O CORAÇÃO DE JESUS ! ", era bacurau para todos os lados. Ás vezes tinha até umas bombas feitas pelo tio Pedro Ricarte lá do Sítio Novo. Terminada a reza era servido café, sequilho, pão de ló, às vezes tinha, também, bolo de puba, para todos os presentes. Sob a luz de uma fogueira e muitos candeeiros, aquela confraternização se prolongava noite a dentro. Naquela época lá não havia água encanada, luz elétrica, fogão a gás nem geladeira. Mas havia amizade, respeito e solidariedade humana. Há mais de 40 anos mamãe foi chamada por Deus. Saudosa, pediu e Deus levou também papai. Para construir o perímetro irrigado do Açude de Quixabinha, as terras foram desapropriadas. Daquele lugar só restou nossa casa, as demais foram todas demolidas. Mesmo passadas tantas décadas, mal cuidada, a casa ainda está lá, resistindo ao tempo, como um marco da nossa história. ETERNA SAUDADE (FFF)...

Francisco Flávio de Figueiredo.

               Fotos: Francinal Bento de Figueiredo.

Um conterrâneo que não esquece suas raizes.

João Netto tirando uma "Self service" do grande Zé Modesto


 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A Vida rural no distrito de São Félix.

 Sítio Outro Lado



 Pitomba


 Sítio Brejo dos Pereiras

Os coqueiros mais antigos do São Félix ficam no sítio Brejo dos Pereiras
 e segundo informações eles tem aproximadamente 130 anos

 Popularmente conhecido como Calango-cego, Calango-preguiça ou aqui na nossa região como Papa-vento
               Fonte: Saulo Gomes.